“Nem Deus sai ileso de uma briga com a Globo” Dadá Maravilha.
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Desde a infância somos alienados ou alienáveis, ainda não sei, por algo produzido para o entretenimento, para a distração. É a tal televisão, onde o interesse dos grandes é imposto de forma sutil, tirando nossa cultura própria, nossas características regionais enquanto brasileiros, fazendo o pensamento do povo se resumir a algo imbecil.
É obvio que há um interesse maior por trás de simples programas infantis, ou domingos intermináveis com programas contendo ofensas, fofocas, pornografias. A TV aberta se tornou um aglomerado de abominações que infelizmente são aceitas, discutidas em locais públicos e ainda por cima, influenciam o consumo… consumo este feito por uma massa débil, que sofreu uma lavagem cerebral tão forte que não consegue desvincular realidade do mundo virtual.Existe uma campanha chamada “Desligue a TV” produzida pelo Instituto Alana que visa justamente fazer com que o social retorne ao cotidiano do povo brasileiro, uma vez que o aparelho eletrônico tem o poder de dividir e destruir famílias.
Os profissionais de comunicação possuem na TV uma belíssima ferramenta para a educação e lazer, mas essa a TV é usada de forma totalmente errônea. Assistimos aos mesmos programas todos os dias e nem sequer conseguimos fazer um protesto contra essa enfadonha transmissão. Muitos dirão, mas nossas novelas são produtos de exportação, é verdade, mas contam a história da mesma forma que os nosso livros, contraditórias e mentirosas, brancos em cima, negros embaixo, ainda é normal, mesmo que já tenha se passado quase duzentos anos desde a abolição da escravatura.
Para completar o mal, nós temos TV a cabo que custa muito para a realidade econômica do povo desta bela nação, e quando alguns ousam fazer os chamados “gatos” que são ligações de TV a cabo clandestinas, acabam assistindo toda a rodada do brasileirão (Campeonato Brasileiro) e não absorvem programas que possam oferecer um conteúdo cultural melhor.
Sem dúvida a TV aberta possui verdadeiros donos do poder, que agem em prol do interesse de uma minoria. São concessões dadas pelo governo a pequenos grupos, não há formas alternativas em larga escala de fazermos comunicação, com exceção da internet.
Há o exemplo claro das rádios comunitárias, mas na maioria das vezes são barradas pela Anatel. Este resumo cabe na frase do jornalista Roberto Marinho que disse: “Sim, eu uso o poder…” no livro a História Secreta da Rede Globo de Daniel Herz.
Eu me pergunto, até quando seremos influenciados de forma alienada por interesses de governos estrangeiros e concessões monopolistas, até quando esse povo ficara deitado em berço esplêndido e não partirá para uma luta pacífica, lutando por direitos que nos pertencem. Corremos o risco de ter uma águia com as garras afiadas encravadas na pérola do Atlântico sul.
Publicado em QUINTO VIGIA
Com a tag comunicação, mídia, pessoas, sociedade, televisão
Ao assistir o documentário de Aluízio Oliveira: “Mídia, Poder e Sociedade” produzido pela TV Senado, defini que há um senso comum em relação à mídia, e esta definição se deu justamente porque nomes importantes e referências para a nova geração estavam lá e diziam as regras, ensinavam a história do jornalismo, como iniciou, a função dos jornais desde o início, e quem eram os repórteres da época, fazendo uma analogia de que tudo o que temos hoje é resultado do trabalho deles.
E esse jornalismo aconteceu por meio de concessões monopolistas, cujo interesse do governo estava sempre à frente, a concepção de liberdade de imprensa começou errada, pois faziam publicidade política e não houve imparcialidade, mas sim uma espécie de toma lá, da cá.
Pude notar isso inclusive num dado momento em que o repórter da TV Tupi entrevista o presidente Costa e Silva e o mesmo não sabe qual a rede de TV ou o nome do programa que está no ar, o “jabá” ali foi ditatorial.
Porém, ao iniciar o debate com outros nomes importantes da profissão, passei a ter uma nova ótica sobre o assunto, e me perguntei onde estão proprietários, onde está o povo, já que a TV é feita para eles, onde estão outras camadas da população e outros profissionais de diferentes segmentos para poder analisar a mídia que muitas vezes é a responsável pela compreensão da informação? O poder, que define quem somos no contexto social, nesta solidariedade orgânica em que vivemos, e a sociedade, que agrega um conjunto múltiplo de valores e pensamentos que batem de frente com muitas opiniões ali sentenciadas.
O jornalismo deve ser imparcial e um repórter deve ouvir mais de um lado, outros segmentos precisam proferir sua voz para que toda a sociedade possa ouvir, analisar, estruturar essas informações e conseqüentemente formar opinião, caso contrário estaremos novamente dando concessões a um pequeno grupo membros de uma elite, cuja fala é seguida pela grande maioria, sem que haja uma discussão para definir se eles estão certos e todos os outros errados.
Publicado em QUINTO VIGIA
Com a tag comunicação, jornalistas, mídia, sociedade, televisão