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Os Ismos do Mundo

deus capitalista

Assisti novamente o documentário chamado Zietgeist Addenddum, que trata na maior parte sobre o processo de formação do dinheiro, a partir do nada. Para que não viu, vale a pena, ao menos para ter uma visão diferenciada das coisas.Mas acabei me convencendo senão de tudo, ao menos de uma ideologia apresentada no vídeo. Não temos mais capitalismo, comunismo e muito menos socialismo; exatamente o que rege o mundo nesse momento é o dinheirismo.

No mundo global você é aquilo que você tem, ou o poder de compra que você tem equivale a sua representatividade na sociedade. E não há isenção, tudo está “amarrado” a money, dinheiro, tutu, dimdim.

Escutei um “causo” há uns dias atrás de um garotinho que vende latinhas e que conseguiu R$2,00 a mais porque colocou pedras dentro da latinha, aumentando o peso do produto e obtendo maior renda. Confirmou que só fez isso porque numa ocasião anterior o vendedor o pagou com balas e pirulitos ao invés de dinheiro.

O cerne de toda civilização é sua cultura e quando crianças, por maior que seja a dificuldade recusam um doce por dinheiro, temos que refletir.

“Não é mérito de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”; a frase retirada do filme Zeitgeist pertence a J. Krishnamurti e reflete o estado de espírito que o tal garotinho possui. A sociedade está obcecada por dinheiro, não há sonhos e realizações que não estejam ligadas aos valores monetários, quer sejam profissionais, pessoais ou sentimentais.

Todos precisam de garantias, de qualidade de vida, de bem estar, precisam de um parceiro seguro e hoje só o dinheiro oferece essa segurança, só a boa remuneração.

Quem implantou essa ideologia? Os líderes das multinacionais, os que visam lucro e nada mais. Se você bate a meta está dentro, trouxe lucro, caso contrário está fora. Consuma o produto da moda e estará dentro de um círculo social, caso contrário está fora, simples assim.

É desta forma que funciona a sociedade doente, enferma de uma doença letal sem cura, mas a mesma enfermidade enriquece a muitos, assim como a AIDS, Gripe A, Ebola….

A rede que destrói a rede

Rancho de Canoas

*foto: Marco Carvalho

Após assistir ao famoso filme do Al Gore (Uma verdade Inconveniente), compartilhei as idéias que abordam assuntos ligados à preservação do planeta. Tentei trazer o contexto do filme o mais próximo da minha realidade e o fiz através de uma comunidade de pescadores que conheço, situada no extremo litoral norte de São Paulo, chamada Picinguaba.

É verdade que a tecnologia tem revolucionado e proporcionado maravilhas e sem esse estágio avançado no campo científico, jamais sonharíamos com tais obras, mas por outro lado, enfrentamos problemas que talvez serão irreversíveis se não houver uma conscientização.

Eu foco essa comunidade que citei acima, pois minha infância foi por lá e eu me lembro que apesar de não ser natural, agreguei com facilidade os valores e costumes locais, me lembro que as crianças e adolescentes da minha época jogavam bola, pescavam, mergulhavam, andavam de canoas e tinham uma vida de acordo com a essência do lugar.

Mas a evolução chegou e hoje, não é que não fazem mais isso, mas o ORKUT, o MSN, o e-mail tem ocupado um espaço tal nos costumes do lugar que realmente me assustou, e a questão aqui é sobre a rapidez com que essas novas tecnologias foram inseridas na realidade dos jovens de lá. O problema está não na utilização da tecnologia, mas no risco que ela representa para os costumes do lugar, para a essência de uma cultura, que já atravessa séculos.

Será que daqui a 10 ou 20 anos teremos jovens que navegarão no mar observando as marés, os ventos, sabendo quais são os melhores pesqueiros, ou será que navegar virtualmente vai ser mais interessante, desprezando a beleza do lugar, não valorizando mais os costumes, o meio ambiente, a preservação de trabalho que é o mar? Como diria uma música do Gilberto Gil “ com quantos gigabytes se faz uma jangada, um barco que veleje”.

Tais questões chamam a atenção e devem ser discutidas principalmente em comunidades como essa, estamos falando da perda de uma identidade cultural.

Todos devem ter acesso à informação, a tecnologia, mas que isso seja feito de forma coerente, pois há um enorme risco de estes jovens saírem para os grandes pólos urbanos que já estão saturados, a procura de trabalho, de modernidade e abandonar a sua tradição, gerando problemas de ambos os lados.