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Rapaziada reunida

Limpeza de Praia

A comunidade de Picinguaba esta se mobilizando para limpeza de praia que vai acontecer no dia 26/09, as 10:00 hs.

A rede que destrói a rede

Rancho de Canoas

*foto: Marco Carvalho

Após assistir ao famoso filme do Al Gore (Uma verdade Inconveniente), compartilhei as idéias que abordam assuntos ligados à preservação do planeta. Tentei trazer o contexto do filme o mais próximo da minha realidade e o fiz através de uma comunidade de pescadores que conheço, situada no extremo litoral norte de São Paulo, chamada Picinguaba.

É verdade que a tecnologia tem revolucionado e proporcionado maravilhas e sem esse estágio avançado no campo científico, jamais sonharíamos com tais obras, mas por outro lado, enfrentamos problemas que talvez serão irreversíveis se não houver uma conscientização.

Eu foco essa comunidade que citei acima, pois minha infância foi por lá e eu me lembro que apesar de não ser natural, agreguei com facilidade os valores e costumes locais, me lembro que as crianças e adolescentes da minha época jogavam bola, pescavam, mergulhavam, andavam de canoas e tinham uma vida de acordo com a essência do lugar.

Mas a evolução chegou e hoje, não é que não fazem mais isso, mas o ORKUT, o MSN, o e-mail tem ocupado um espaço tal nos costumes do lugar que realmente me assustou, e a questão aqui é sobre a rapidez com que essas novas tecnologias foram inseridas na realidade dos jovens de lá. O problema está não na utilização da tecnologia, mas no risco que ela representa para os costumes do lugar, para a essência de uma cultura, que já atravessa séculos.

Será que daqui a 10 ou 20 anos teremos jovens que navegarão no mar observando as marés, os ventos, sabendo quais são os melhores pesqueiros, ou será que navegar virtualmente vai ser mais interessante, desprezando a beleza do lugar, não valorizando mais os costumes, o meio ambiente, a preservação de trabalho que é o mar? Como diria uma música do Gilberto Gil “ com quantos gigabytes se faz uma jangada, um barco que veleje”.

Tais questões chamam a atenção e devem ser discutidas principalmente em comunidades como essa, estamos falando da perda de uma identidade cultural.

Todos devem ter acesso à informação, a tecnologia, mas que isso seja feito de forma coerente, pois há um enorme risco de estes jovens saírem para os grandes pólos urbanos que já estão saturados, a procura de trabalho, de modernidade e abandonar a sua tradição, gerando problemas de ambos os lados.