Olá a todos, meu nome é Picinguaba, sou conhecida nacional e internacionalmente, modéstia parte, dotada de uma beleza única e excepcional.
Decidi expressar algumas coisas que estão acontecendo comigo no intuito de buscar ajuda para que eu possa lutar pela minha existência e continuar como sempre fui.
Já existo a alguns milhares de anos e o convívio sempre foi muito harmonioso, mas há cerca de 30 anos, o Governo do Estado de São Paulo através do Instituto Florestal resolveu fazer de mim um Parque Estadual cujo modelo é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, ou seja, uma área onde teoricamente não devem existir moradias humanas.
Isso não aconteceu, meus filhos nativos continuam vivendo em mim e outros filhos que vieram a me conhecer e eu os adotei e passaram a viver ou visitar-me de forma harmoniosa.
Apesar de alguns problemas como saneamento básico, degradação de rios e questões de cunho ambiental, eu estava bem. Porém mais uma vez o Governo do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Florestal resolveu que eu não mais seria parte do Parque Estadual da Serra do Mar.
O mesmo Governo tem pressa em me tirar do Parque, mas meus filhos têm questionado dois fatores importantes:
A primeira delas é que por meio de um documento chamado Plano de Manejo, eu fui mutilada, perdi território onde existem filhos meus, e eu mesma não aceito tal imposição do Estado.
A segunda questão importante diz respeito aos meus filhos nativos que temem que com a desafetação, eu venha a ser degradada e minha beleza cênica que conquista pessoas de todo o mundo dê lugar a prédios, resorts e coisas assim, algo que eu não comporto e que certamente prejudicaria minha saúde.
Estas questões geraram desavenças entre meus filhos, algo que muito me entristeceu, pois minha essência e característica é de paz e tranquilidade.
Apesar dos pesares meus filhos nativos e adotados se uniram e montaram uma comissão para me defender, lutar por aquilo que seria meu bem.
Já foi feito para mim um documento chamado Plano de Uso e Ocupação do Solo, que terá alguns ajustes sugeridos pelos meus filhos e será meu porto seguro para evitar minha destruição.
Estes filhos por meio da comissão tem buscado apoio de instituições publicas como: o CONDEPHAAT, órgão público estadual que busca preservar minhas características arquitetônicas e históricas, a SPU (Secretaria de Patrimônio da União) que cuida das questões referentes a faixa de marinha, o Ministério Publico e a Prefeitura Municipal.
Todos os órgãos que citei acima, juntamente com a Instituto Florestal tem competência para decisões sobre meu futuro, por isso meus filhos buscaram apoio e esclarecimento público em busca de construir a melhor solução.
Minha intenção é sensibilizar os demais filhos para apoiarem a AMBP (Associação de Moradores do Bairro de Picinguaba) na luta que vem sendo travada pelo meu bem estar.
O meu grande desejo é que as soluções sejam encontradas, e a paz e a harmonia retornem ao coração de todos os filhos que me pertencem, nativos e adotados, e que eu volte a ser somente a velha e amada PICINGUABA.
Forte Abraço!
Mãe Picinguaba.





