
Ménage à trois
Não é tão trágico, mas Corina, menina de cidade pequena, levada, começou cedo a namorar e seu namoradinho aos 12 anos virou gay.
Claro, como já havia começado sua vida emocional teve alguns rapazolas, mas nada sério, até porque seu pai era uma fera e não permitia que sua filha, jovem, bela e donzela ficasse por aí zanzando,….só permitiria tal coisa depois que ela atingisse a maioridade de 15 anos.
Mas Corina, jovem, bela e donzela arrumou um namorado 06 anos mais velho. Com treze anos ela sabia bem o que queria para sua vida emocional. O João seu novo namorado era dono de um bar, segundo o pai de Corina antro de perdição e, para defender a promessa, o pai de Corina saia à buscá-la neste obscuro local que a moça frequentava.
Ahh mas com o “home da lei” não tinha papo, levava-a a força; a moça claro se rebelou e já com toda experiência dos seus 14 anos, queria sua independência a qualquer custo, queria sumir para a cidade grande mais próxima.
João era tudo que Corina precisava, fazia poesias, desenhava, adorava música e o pai dela não gostava do pobre rapaz. Perfeito!!!
Tudo bem que João não se prendia à compromissos. Era mais um desses seres que os astrólogos adoram chamar de sagitarianos, mas até aí a jovem Corina já estava muito apaixonada por ele, se davam super bem.
O namoro era escondido e quando Corina partia, João, assim como o Centauro que na iconografia cristã representa a fera tentadora de donzelas, seduzia outras mocinhas da pacata cidade. Corina não ligava; afinal eles não tinham compromisso, mas bem no íntimo estava desgastando, mesmo João sabendo não mudou de atitude, era sua essência.
Tudo ia de mal a pior, João querendo morrer quando Corina dava um fim, Corina voltando quando ele quase morria, achando que talvez o medo da morte o fizesse mudar, e assim como diz o Chico: “a gente vai levando essa chama”.
Certa vez já com o namoro firme João ficou com uma “amiga de Corina”, ela deu o troco, claro, e na mesma moeda, mas não o deixou saber e assim terminaram.
Corina, jovem bela e donzela queria mais é namorar, mesmo não gostando. Conheceu Mario, oposto a João…esse era ciumento, possessivo, passava mal quando via alguém olhando Corina. Ela tinha esse relacionamento só para esquecer do anterior. João quando soube do namoro tentou se matar de novo, mas frustrou-se mais uma vez.
Quando Corina largou do Mario, ele quase teve um treco, até hoje ele quase tem um treco, ela já tinha 15 anos. A moça ainda deu um lado pro João, mas já tinha “desencanado” dele. Corina não entende porque os todos os meninos que ficava queriam namorar. Teve vários namoricos, mas se perguntara se tem cara de quem gosta de namorar?
Tudo ia bem até conhecer o Samuel, foi um namoro rápido, mas intenso e sem noção. Pra variar era mais um enciumado, até dos pais da garota o jovem se angustiava, no mínimo 03 brigas por dia estavam garantidas.
A menina se questionava porque sempre gostou dos complicados…deixou de ser donzela com o novo namorado, se tornando somente jovem e bela.
Nesta altura do campeonato Samuel, que agora se sentia proprietário daquele corpo começou a fazer exigências do tipo: “ou eu, ou suas amigas”. Corina invocou todo seu espírito rebelde e deu tchau pra ele.
Samuel chorou e disse que Corina o tinha usado, pode!
Depois veio o Jackson, tinha medo de Corina por causa da sinceridade da garota. Ela prestava vestibular para Cinema, em Petrolina. Já não queria mais ninguém na sua vida, mas ele “ficava no seu pé” e claro, queria namorar. Um dia por motivos de ego artístico de Jackson o rapaz não quis ir a uma festa com Corina e o namoro acabou.
Faceira e levada ela ficou com outro, Jackson ficou com o ego machucado, disse que tinha sido traído, mas eles nem tinham compromisso, brigaram um monte e tudo acabou.
A jovem e bela passou no vestibular e conheceu Roberto, esse sim foi engraçado, já tinha visto o rapaz há uns 03 anos lá na sua cidade, apesar de não fazer questão por ele nem nada, fez meio que uma aposta, porque Roberto era o único que não dava bola para Corina.
A levada colocou na cabeça que conseguiria ficar com ele e conseguiu!
Mas eram opostos demais, talvez não desse certo, era o estereótipo da hippie e do cara politicamente correto; ela curtia Woody Allen e ele os blockbusters da Tela Quente, mas mesmo assim Corina o pediu em namoro, sim a garota que não gostava de namorar.
Corina, jovem, bela e faceira tinha os olhos de Capitu, sim aquela do clássico de Machado de Assis e dizem as más línguas que certa vez apareceu um tipo aí, tal de Pablo que encantou o coração de Corina numa de suas viagens a trabalho, dessas que as mulheres modernas fazem.
O Samuel foi apagado da vida de Corina de todas as maneiras, o Jackson também, já o João não, são os mesmos amigos, o mesmo gosto para música, os mesmos tudo, eles sempre se encontram por aí e ele sempre discursa aos seus ouvidos.
Até hoje João a persegue.
*Semelhança com a vida real é mera coincidência.